Dúvidas em Reprodução Humana

  1. Como descobrir se sou infértil?

Exames de fertilidade não são parte da rotina do check-up, o que faz com que a infertilidade só seja diagnosticada após o casal passar um ano tentando engravidar, tendo relações sexuais sem nenhum método contraceptivo com frequência (cerca de 2 ou mais vezes por semana), sem sucesso.

No entanto, se o indivíduo já apresenta alguma doença relacionada ao sistema reprodutor (endometriose, doença inflamatória pélvica, passado de cirurgia pélvica, caxumba, impotência, varicocele) ou já fez tratamento para câncer, como radioterapia ou quimioterapia, é possível verificar se a produção de gametas está ocorrendo de forma normal ou iniciar algum tratamento antes das tentativas de engravidar.

  1. Não estou conseguindo engravidar, o que fazer?

Como a chance de a gravidez ocorrer após um único ciclo menstrual em casais jovens e saudáveis é de apenas 20%, é comum que a gestação demore alguns meses para acontecer e que o casal fique ansioso com a possibilidade de infertilidade.

Nesses momentos, é importante manter a calma e lembrar que, ao final de um ano de tentativas, a grande maioria dos casais (85%) consegue engravidar.

Mas se o casal já está tentando ter um filho por um período maior que um ano ou se a mulher tem mais de 35 anos e já está tentando engravidar há seis meses, o casal deve procurar um médico especialista em Reprodução Humana para iniciar a investigação de infertilidade.

  1. Só as mulheres são inférteis?

Não, a infertilidade afeta igualmente homens e mulheres. As estimativas científicas dizem que os fatores femininos são responsáveis por 35% dos casos de infertilidade; os fatores masculinos por mais 35%; e os fatores de ambos por 20%. Os 10% restantes são provocados por fatores desconhecidos e chamados de infertilidade sem causa aparente (ISCA).

Apesar disso, a idade da mulher costuma ser um dos fatores mais limitantes à fertilidade do casal em sociedades nas quais o crescimento profissional e a estabilidade financeira são priorizados durante a juventude.

  1. O diagnóstico de infertilidade significa que eu nunca vou engravidar?

Não. Ser infértil indica que o casal apresenta uma dificuldade maior em engravidar, mas não necessariamente impede que a concepção natural ocorra após um período maior de tentativas. No entanto, como a chance de isso ocorrer é pequena, a recomendação é que o casal não perca tempo e procure logo um médico especialista em Reprodução Assistida para descobrir o motivo da infertilidade e realizar algum tratamento que permita a gravidez.

Assim, após o diagnóstico de infertilidade, a chance de o casal engravidar é grande se o tratamento adequado for realizado.

  1. Como é feita a investigação de infertilidade?

Uma vez feito o diagnóstico de infertilidade, é necessário investigar a causa do problema tanto no homem quanto na mulher para que uma solução seja encontrada e o casal consiga realizar o sonho de ter um filho.

Para a mulher, é comum a solicitação de ultrassom endovaginal para a pesquisa de alterações anatômicas e de exames de sangue para dosagem dos hormônios reprodutivos e tireoidianos. Se necessário, podem ser feitos ainda exames mais específicos como a histeroscopia, a histerossalpingografia e a videolaparoscopia.

Para o homem, o exame básico é o espermograma, que analisa a quantidade e a qualidade dos espermatozoides presentes no sêmen. No CEFERP, realizamos o espermograma com a Avaliação da Super Morfologia do Espermatozoide, com a visualização de estruturas em um aumento de mais de 6300 vezes, auxiliando em um melhor diagnóstico e indicação do melhor tratamento.

  1. Por quais razões é difícil engravidar depois dos 40?

Como a mulher já nasce com todos os óvulos e a cada ciclo da sua vida amadurece e libera um deles, à medida que a menopausa se aproxima a ovulação se torna mais incerta, e os óvulos liberados costumam apresentar defeitos no número de cromossomos — as chamadas aneuploidias.

Assim, aos 20 anos a mulher apresenta apena 45% dos óvulos que tinha ao nascimento, e após os 40 anos, esse número já caiu para menos de 1%, com os óvulos restantes sendo, muitas vezes, defeituosos. Isso faz com que a chance de a mulher com mais de 40 anos engravidar seja menor (cerca de 5% ao mês) e, se a gravidez ocorrer, a chance de um aborto seja maior.

Caso a gravidez chegue ao fim, também há uma maior chance do bebê apresentar alguma síndrome cromossômica, como a síndrome de Down, se comparado com mulheres mais jovens.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana