Dúvidas pós-transferência embrionária

Quais são as principais recomendações médicas pós-transferência de embriões?

transferência de embriões consiste na última etapa do procedimento de fertilização in vitro. Aproximadamente após 14 dias é realizada a coleta de uma amostra de sangue para determinar a presença do hormônio Beta hCG, o que confirma a gravidez.

Muitas mulheres questionam sobre a necessidade de alterar sua rotina após a transferência embrionária, é necessário o repouso?

As evidências científicas apontam que não é necessário mudar em nada a vida da futura mamãe após a transferência, já que o repouso não mostra nenhum benefício no desfecho do tratamento. Porém, este é um momento em que o casal deve se sentir seguro e amparado, e se alguma mudança nas atividades cotidianas for trazer tranquilidade, ela pode ser realizada.

É normal ocorrer sangramento após a FIV?

Embora o procedimento de fertilização in vitro como um todo seja bastante tranquilo, algumas pacientes podem apresentar episódios de sangramento em determinadas etapas. Após a coleta dos óvulos, pois durante a punção ovariana, pode ocorrer o rompimento de pequenos vasos da região da vagina. E após a transferência de embriões, sendo  este o sangramento que mais assusta os casais que realizam este tipo de tratamento; em estágios mais iniciais (como logo após o procedimento) ou mais próximo da realização do teste de gravidez. É importante salientar que a presença de sangramento ou cólicas não é indicativo de sucesso ou fracasso do procedimento. Infelizmente, o inverso também é verdadeiro, ou seja, a ausência de qualquer sintoma após a transferência embrionária não necessariamente significa o sucesso ou fracasso do tratamento. Nesse sentido, é necessário apenas observar o padrão de sangramento e os sintomas associados, e relatar à equipe médica responsável pelo caso.

Quais as possíveis causas do sangramento?

O sangramento após a transferência embrionária pode ocorrer em função de alguns fatores diferentes. No momento da transferência, é introduzido um fino cateter pelo canal endocervical, que pode apresentar um estreitamento, causando certa dificuldade para passagem do instrumento e, consequentemente, podendo levar a algum sangramento, pelo rompimento de vasos na introdução do cateter. Além disso, devemos considerar o fato de que a ação hormonal das medicações em uso altera a vascularização do local e pode fazer com que o sangramento seja mais evidente. O colo do útero de algumas mulheres possui uma maior vascularização, e apenas o leve toque no local, como o da passagem do cateter, pode ser suficiente para gerar sangramento. O importante quando ocorre sangramento nessa fase é lembrar que ele vem de áreas não relacionadas diretamente à implantação embrionária, fator que auxilia a paciente ou o casal a manter a calma diante de tal situação.

Já o sangramento após alguns dias do procedimento de transferência, pode ser em função da própria implantação do embrião no endométrio, a nidação, o que também estaria dentro da normalidade. A invasão do endométrio pelo embrião exige, muitas vezes, o rompimento de alguns pequenos vasos no endométrio, o que poderia justificar a presença do sangramento. Importante ressaltar que o sangramento da nidação não é obrigatório, muitas pacientes que evoluem com gestação após a transferência não notam sangramento ou qualquer outro sintoma nesta etapa, o que também é normal.

Além disso, a própria medicação de auxílio hormonal, como o estrogênio e a progesterona, pode ter variações de biodisponibilidade no organismo e desencadear sangramentos após a transferência.

Quais tipos de sangramento podem ocorrer?

Os sangramentos mais comuns são a borra de café, como o próprio nome evidencia, se manifesta na roupa íntima ou absorvente de forma semelhante a uma borra de café. Ele pode ocorrer em função de pequenas descamações do endométrio, ou mesmo, do desprendimento de sangue que ficou acumulado na região do fundo da vagina e que se exteriorizou conforme a movimentação nas atividades do cotidiano. E o sangramento do tipo vermelho vivo, que pode ocorrer em pequenas ou médias quantidades, mas também em grandes volumes. Nesse período de gravidez pré-clínica, entre a transferência e a confirmação da gravidez, não é possível estimar com certeza a razão desse sangramento, ou seja, não há manifestações clínicas que possam identificar a causa exata do sangramento. Entretanto, é importante sempre manter a calma e evitar atividades como o carregamento de pesos, ou mesmo, a manutenção de relações sexuais. Isso porque, como esse período é rodeado de medos e incertezas, e a presença do sangramento reforça ainda mais esses sentimentos, quando realizadas atividades mais intensas ou durante a relação sexual, pode ocorrer aumento do sangramento por outros fatores, e isso pode interferir ainda mais no aspecto emocional e grau de ansiedade do casal.

Qual a importância de manter a calma?

Podemos perceber que a ocorrência de sangramento após a FIV é algo bastante comum entre as pacientes submetidas ao procedimento. Além disso, é importante frisar o fato de que essa manifestação não representa o sucesso ou insucesso do procedimento de fertilização in vitro. A preocupação certamente não contribuirá para o controle de expectativas, uma vez que o resultado positivo da gravidez só poderá ser evidenciado após o exame de Beta hCG. Nesse sentido, é sempre importante contar com o apoio de uma equipe qualificada e experiente, que deem todo o suporte técnico e emocional necessário neste momento tão importante.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana