Endometrite e reprodução assistida: qual a relação?

A implantação do embrião é um processo complexo e frequentemente apontado como um passo limitante para o sucesso dos tratamentos por FIV.

Embora a qualidade embrionária seja o principal parâmetro adotado para prever as taxas de implantação em pacientes submetidas aos tratamentos por FIV, o sucesso do procedimento também depende de critérios como a integridade uterina e receptividade endometrial.

De acordo com diferentes estudos, a inflamação do endométrio pode interferir nos mecanismos fisiológicos de fecundação dos óvulos e implantação do embrião.

Nos tratamentos por FIV, a falha repetida de implantação é o principal fator responsável pelos casos em que o tratamento é malsucedido. É definida como a falha em conceber após dois ou três ciclos de transferência de embriões de boa qualidade.

Mulheres submetidas ao tratamento por FIV com falha de implantação repetida são frequentemente associadas à endometrite crônica, que também está relacionada ao abortamento recorrente, definido como três ou mais abortos espontâneos antes de 20 semanas de gravidez.

Quando não tratada, além de diminuir as taxas de sucesso da concepção espontânea e dos ciclos de FIV, contribui, ao mesmo tempo, para desfechos obstétricos adversos, como infecções intrauterinas, parto prematuro e endometrite pós-parto.

Para garantir que o tratamento por FIV seja bem-sucedido, a endometrite deve ser totalmente tratada. Investigação e tratamento também devem ser feitos por mulheres com histórico de aborto recorrente, geralmente relacionados a quadros de infertilidade.

O tratamento para endometrite é bastante simples. Na maioria dos casos, realizado com a administração de antibióticos, via oral ou injetável, prescritos a partir da determinação da bactéria que causou a inflamação. Para identificar a bactéria, diferentes testes laboratoriais são realizados, além da análise das células do endométrio.

Apenas quando há formação de abscessos como consequência da inflamação ou quando a endometrite provoca aderências, a indicação também passa a ser cirúrgica.

Exames de imagem, entre eles a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética (RM), podem confirmar a formação de abscessos ou a presença de aderências.

O procedimento cirúrgico é minimamente invasivo, realizado por técnicas, como videolaparoscopia cirúrgica ou vídeo-histeroscopia cirúrgica, que possibilitam uma visão detalhada do aparelho reprodutor feminino e o acompanhamento em tempo real.

Ambas as técnicas são importantes para confirmação do diagnóstico. Em muitos casos, a extração das aderências formadas ou aspiração do fluido infectado são feitas ainda durante a avaliação.

A identificação e correção do problema aumentam as chances de gravidez nos tratamentos por FIV, reduzindo significativamente os riscos de falha de implantação.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana