O que é o DuoStim?

DuoStim é um dos protocolos de tratamento atualmente utilizado na reprodução assistida. O DuoStim (Double Stimulation) tem como objetivo realizar duas aspirações foliculares para captar uma quantidade maior de óvulos maduros no mesmo ciclo menstrual.

O estímulo ovariano tradicional tem início logo que a mulher menstrua. Alguns pesquisadores idealizaram a realização do estímulo ovariano em diferentes fases do ciclo menstrual, tal como iniciar o estímulo ovariano após a ovulação (na metade do ciclo menstrual).

Essa estratégia foi inicialmente descrita nos tratamentos de preservação de fertilidade para pacientes oncológicas, pois essas mulheres não poderiam esperar o início do fluxo menstrual para iniciar o estímulo ovariano, pois isso poderia atrasar o início do tratamento oncológico e reduzir as chances de sucesso do tratamento oncológico.

O Duostim ou Duplo Estímulo é um protocolo que consiste na realização do estímulo ovariano em dois momentos, dentro do mesmo ciclo menstrual. O primeiro ocorre no começo do ciclo menstrual, como acontece em FIV clássicas. O segundo momento, é de 3 a 5 dias depois da coleta de óvulo, na fase lútea do mesmo ciclo.

Ao permitir uma segunda estimulação ovariana dentro do mesmo ciclo da paciente, o DuoStim gera uma quantidade maior de ovócitos captados do que se fosse realizada apenas uma indução, como ocorre em respondedoras normais.

Quando se aumenta a quantidade de óvulos coletados, aumentam também as chances de sucesso do tratamento de fertilização in vitro, visto que o número de óvulos captados é diretamente relacionado à quantidade de embriões resultantes. Quanto mais embriões de boa qualidade resultar da FIV, maiores são as chances de implantação e, consequentemente, de gravidez.

Além disso, o acúmulo de óvulos ocorre em um espaço de tempo menor, o que pode ser primordial para pacientes com má-resposta, em que o número de óvulos pode diminuir de maneira significativa em questão de meses.

Os testes de reserva ovariana (contagem de folículos antrais, hormônio anti- mulleriano, dosagem de FSH e estradiol basais) podem estimar o número de óvulos que determinada mulher conseguirá resgatar após a realização do estímulo ovariano.

Apesar de não existir um consenso em relação ao diagnóstico de má-respondedora, a maioria dos especialistas em reprodução humana considera uma paciente como má respondedora quando ela apresenta menos do que quatro óvulos maduros no momento da captação.

Uma das vantagens do protocolo DuoStim é aproveitar um único ciclo menstrual para realizar dois recrutamentos em fases diferentes do ciclo, sendo o primeiro na fase folicular (início no 2º dia do ciclo menstrual) e o segundo na fase lútea (início entre o 3º – 5º dia após a primeira aspiração folicular), dessa forma a paciente consegue um número maior de óvulos maduros em um curto período de tempo, ou seja, não precisam aguardar um novo ciclo menstrual para iniciar um novo protocolo de estímulo ovariano, se este for indicado por um especialista.

Em contrapartida, as desvantagens do DuoStim estão: no custo das medicações, na disponibilidade de tempo que a paciente precisa para realizar todo acompanhamento de forma correta e na ansiedade do casal por não conseguir realizar a transferência embrionária no mesmo ciclo da indução, sendo importante nesse momento a orientação do médico referente ao custo versus benefícios do protocolo.

Apesar de o protocolo de indução ovariana de Duplo Estímulo apresentar diversos benefícios, como não precisar submeter a paciente com baixa reserva ovariana a um novo protocolo de estímulo no ciclo seguinte, apenas o médico que atua na área de reprodução humana poderá avaliar para qual caso a técnica é recomendada.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana.