SAIBA SOBRE A MINI FIV

A Mini-FIV ( Mini Fertilização in Vitro) é uma técnica recente em Reprodução Humana desenvolvida pelo médico japonês Osmau Kato , Diretor do Kato Ladies Clinic, em Tóquio, Japão, e registrado com o nome de “Mini-IVF®” (Mini-In Vitro Fertilization), e introduzido nos Estados Unidos por John Zhang, do New Hope Fertility Center. Posteriormente, recebeu algumas modificações do professor Shermam Silber, do St. Luke´s Hospital in St. Louis. Se baseia na utilização de doses hormonais menores para o estímulo ovariano (mínimo estímulo ovariano – MEO) com o objetivo de oferecer menor número de óvulos ( de 1 a 4 óvulos, no máximo), porém de melhor qualidade. Nessa técnica o gasto com medicações pode ser de 30% a 40% inferior ao da fertilização in vitro convencional.

Na técnica de fertilização in vitro tradicional, a dose das medicações é maior para estimular os ovários a produzirem um grande número de óvulos e aumentar a chance de fecundação. Com isso , é obtido maior número de embriões, podendo congelar os embriões excedentes. Já no mínimo estímulo ovariano são administrados  medicações injetáveis em baixa dose e muitas vezes associado a comprimidos, assemelhando-se a um estímulo hormonal natural, no qual o ovário é estimulado a produzir um óvulo mensalmente, porém teoricamente de melhor qualidade.  Essa qualidade superior se expressa pela menor chance de serem fertilizados óvulos com alterações cromossômicas. Sabemos que quando os pacientes se interessam pelo tratamento de fertilização in vitro procuram informações sobre a FIV-Convencional e se preocupam com a necessidade das injeções diárias, aumento de peso, retenção de líquido, inchaço abdominal, alto custo financeiro e gestação múltipla, entre outras possibilidades – efeitos estes causados pelos hormônios que recebem nesse período. Esta nova estratégia simplifica o tratamento, diminui o número de óvulos recrutados (mas de melhor qualidade), reduz o desconforto, os efeitos colaterais e o custo financeiro e, principalmente, mantém praticamente a mesma taxa de gravidez. Nas “mulheres maduras” (idade ao redor dos 40 anos), a taxa de gravidez pode ser superior à FIV-Convencional.

A Mini – FIV  apresenta taxas de sucesso semelhantes a FIV convencional, porém  deve-se ter em mente que essa técnica também pode ocasionar maior número de cancelamentos do ciclo estimulado e menor número de transferência de embriões., pois às vezes o único embrião formado não se desenvolve adequadamente para ser transferido para o útero.

Nas mulheres acima de 40 anos, a Mini-FIV pode trazer grande benefício, com o objetivo de recrutar um ou dois óvulos de melhor qualidade, pois nessa faixa etária a probabilidade de haver óvulos com alterações cromossômicas é maior. Por esse motivo a técnica de Mini-FIV é exemplificada na frase “menos é mais”, no sentido de priorizar a qualidade do óvulo e não a quantidade de óvulos obtidos. A prioridade no tratamento é  garantir às pacientes  as melhores taxas de sucesso, com menor índice de efeitos colaterais e um custo mais acessível.

Como essa técnica apresenta menor custo financeiro, tornou-se uma excelente alternativa para aqueles casais  que desejam economizar com as medicações. Assim, a Mini-FIV tornou o tratamento de fertilização in vitro mais acessível e popular.

Os tratamentos de infertilidade têm demonstrado variações diferentes em todo o mundo. Gestações que eram impossíveis há algumas décadas acontecem agora com certa frequência. É importante reforçar, que para adotar um protocolo de estimulação ovariana, deve ser individualizado de acordo com o perfil da paciente.

Na FIV Convencional a fertilização in vitro convencional é realizada há mais de 30 anos e tem alcançado altos índices de sucesso, ajudando casais a realizarem o sonho da gestação. É utilizada em situações extremamente necessárias. O lado negativo é a quantidade excessiva de hormônios, que pode levar a desconfortos desagradáveis, como a retenção de líquido e inchaço abdominal, além da necessidade de injeções diárias, que causam um enorme transtorno ao casal.

Na Mínima Estimulação Ovariana (MEO) – Mini-FIV A MEO tem demonstrado índices de gravidez comparáveis às do FIV-Convencional. Entretanto, pela quantidade mínima de medicamentos utilizados, este tratamento causa menos estresse, menos inchaço, menos retenção de líquido e menor custo financeiro, podendo ser 28% mais barato que a FIV-Convencional.

A Mini-FIV produz uma quantidade menor de óvulos (três a cinco no máximo), o que pode ser interessante para casais que não desejam congelar embriões e temem pelos efeitos colaterais das medicações.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana