Síndrome de hiperestimulação ovariana

A síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO) apesar de também ocorrer espontaneamente em gestações múltiplas, na maioria dos casos é resultante do efeito indesejado do uso de estimuladores da função ovariana. Estima-se que a SHO afete 2% a 3% das pacientes nas suas formas moderada e grave, e na forma leve pode estar presente em 20 a 30% de todas as fertilizações in vitro.

As peculiaridades do perfil feminino que predispõem ao desenvolvimento da SHO incluem: mulheres jovens, magras, negras, portadoras de infertilidade sem causa aparente e as que tenham apresentado essa síndrome em tratamentos anteriores. Um estudo prospectivo mostrou que mais de 60% dos casos ocorrem em mulheres com menos de 35 anos. Entre os fortes indicadores de risco para SHO também estão àquelas portadoras da síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Entre os marcadores de reserva ovariana, dois assumem papel preditivo de SHO: a dosagem sérica do hormônio antimulleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais (CFA). O AMH é essencialmente produzido nos ovários, em folículos pré-antrais e folículos antrais. Níveis acima de 3,36ng/mL guardam estreita relação com o risco de desenvolver SHO e mulheres com níveis superiores a 5ng/mL apresentam risco três vezes maior de ter essa síndrome. Assim como pacientes que durante a estimulação, ocorre a visualização de mais de 24 folículos em crescimento.

A importância de se determinar o nível da gravidade da doença esta em orientar o tipo de tratamento necessário. Nos estágios leves e moderados, o tratamento indicado é ambulatorial, porém essa conduta também pode ser praticada em alguns casos graves selecionados, nos quais haja boa colaboração da paciente e possibilidade de transferência para unidade hospitalar, caso necessário.

Principais condutas recomendadas nas formas leves e moderadas: repouso relativo, evitar atividades físicas pelo risco de ruptura de cistos e torção ovariana; abstinência sexual; controle do peso corpóreo e diurese; ingestão hídrica de 2 a 3 litros por dia; controle da dor com paracetamol, contraindicado o uso de anti-inflamatórios não hormonais pelo maior risco de comprometimento renal; acompanhamento clínico. Na forma grave considerar a internação quando controle insuficiente da dor; ingestão inadequada de líquidos devido a náuseas e vômitos.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana