Transferência Embrionária

A transferência embrionária é o processo por meio do qual o embrião é transferido para o útero que irá gerá-lo. É a etapa final da técnica de fertilização in vitro (FIV) e é o momento de maior expectativa para os casais.

Depois que os gametas (óvulos e espermatozoides) são colhidos e fecundados em laboratório, os embriões gerados são analisados e, os de melhor qualidade, transferidos para o útero da futura gestante.

A transferência embrionária guiada por ultrassonografia transabdominal ocorre por meio de cateter, que auxiliam a implantação dos embriões na cavidade uterina. A transferência, na maioria das vezes, é simples, indolor e sem uso de anestesia. O desconforto sentido é similar ao exame Papanicolau.

O número de embriões transferidos depende de diversos fatores, sendo os principais a idade da mulher e a receptividades do endométrio. Segundo as recomendações do Conselho Federal de Medicina no Brasil, o número máximo deve ser quatro, já que o maior número de embriões transferidos não significa a maior probabilidade de a gestação acontecer. Uma das maiores preocupações é em relação à gravidez múltipla, que pode gerar riscos tanto para os bebês quanto para a mãe.

Até os 35 anos de idade, recomenda-se a transferência de um a dois embriões, dos 35 aos 37 anos, dois embriões; até os 40, no máximo três; e a partir daí, até quatro. É fundamental esclarecer que este é um limite máximo em cada faixa de idade, mas a decisão final do número de embriões (respeitados estes limites) é do casal, após orientação da equipe médica sobre a qualidade dos embriões, chances de implantação e riscos de gravidez múltipla.

Determinado o número de embriões a ser transferido, o próximo passo é escolher estes embriões. Quase sempre, a escolha recai sobre os embriões de melhor qualidade. Esta qualidade é avaliada segundo as características de cada embrião: número de células em relação ao dia de cultivo, simetria das células, e presença/ausência de fragmentação.

Assim os embriões são classificados em tipo A, B, C ou D. Os de tipo A são os de melhor qualidade, e, portanto, com maior capacidade de implantar no útero. Porém, a chance de implantação dos embriões tipo B também é muito boa. Embriões de tipo C e D em geral têm células assimétricas ou fragmentação elevada: as chances de implantação são menores, mas existem, e não é incomum nos depararmos com gravidezes normais advindas de embriões com esta classificação.

Após a transferência embrionária, a mulher pode seguir tranquilamente sua rotina, trabalhar, estudar e se dedicar às atividades cotidianas, pois a implantação do embrião no útero é similar a de uma gravidez natural.

A fertilização in vitro (FIV) é um dos tratamentos mais efetivos para auxiliar na busca da maternidade. Trata-se de um dos tratamentos mais procurados por ser a técnica de reprodução assistida mais efetiva na prática clínica. Desde o nascimento do primeiro bebê de proveta, milhões de casais concretizam o sonho de ter um bebê.

Para entendermos possíveis motivos da falha de uma FIV, é necessário relembrarmos das limitações biológicas. As alterações genéticas no embrião são os principais fatores relacionados a esta limitação.

A FIV oferece pelo menos duas vezes mais chances para alcançar a gestação em relação às tentativas espontâneas. Entretanto, a alta tecnologia e conhecimento científico ainda não permitem uma efetividade maior porque a FIV não modifica patrimônio genético, motivo pelo qual o tratamento falha em algumas vezes.

Estima-se que 80% das falhas estejam relacionadas ao embrião e 20% a alterações endometriais.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana